Prezamos pelo impulsionamento da nossa produção científica, mas a própria estrutura que isso envolve nos boicota. O sistema de Avaliação atual do MEC (CAPES/Qualis) nos força a uma transferência da nossa riqueza intelectual para o Norte Global.
O sistema de pontuação do MEC recompensa publicações em revistas de prestígio e com boa visibilidade, fazendo com que nossos melhores pesquisadores submetam seus trabalhos para grandes editoras estrangeiras (Elsevier, Springer, etc.).
Consequentemente, revistas científicas brasileiras e latinas são privadas das melhores publicações. Isso nos leva a um paradigma, pois para ter visibilidade, precisa ter boas publicações, e bons artigos são enviados para revistas com boa visibilidade. Esse mecanismo é cruel e sufoca nossas revistas, irando delas qualquer chance de visibilidade.
Acaba que produzimos ciência de ponta com recursos públicos, mas entregamos os louros para as grandes editoras, fechando o conhecimento que produzimos a um mercado pago. Precisamos pagar caro para poder ler os trabalhos que nós mesmos produzimos.
Isso é o oposto da soberania da ciência, da tecnologia e da colaboração multilateral que a internet original nos prometia, mas as corporações fincaram suas bandeiras lá e dominaram os territórios que antes eram nossos.
Precisamos reconquistar nosso espaço no sistema de publicações das pesquisas, valorizar o que é nosso. Não podemos nos curvar ao papel de eternos fornecedores de matéria-prima intelectual. A ciência deve ser federada, soberana e descolonizada.
A ciência deve ser uma ferramenta de libertação e não um ranking de prestígio colonialista.
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